domingo, 22 de abril de 2012
Geração em 140 caracteres
A editora é a mesma que publicou o livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que se debruça sobre a chamada Era das Privatizações, promovida pelo governo Fernando Henrique Cardoso, por intermédio de seu ministro do Planejamento, o ex-governador de São Paulo, José Serra.
Aos que quiserem dar uma olhadela no e-book com, é só acessar um dos links abaixo.
PDF: http://www.geracaoeditorial.com.br/geracao140caracteres.pdf
ZIP: http://www.geracaoeditorial.com.br/geracao140caracteres.zip
quarta-feira, 28 de março de 2012
Salve, Millôr! Até qualquer hora!

Deve-se beber moderadamente, isto é, um pouco todos os dias. Isso não sendo possível, beber muito, sempre que der. Mas o abuso, como a moderação, tem que ser aprendido. O amador que abusa tende a ficar desabusado."
sexta-feira, 23 de março de 2012
Eduardo e Mônica (versão para jornalistas)
Que existe razão
Quando se escolhe essa profissão?
E quem irá dizer
Que não existe razão?
Eduardo abriu o livro, mas não quis nem estudar
As teorias que os mestres deram
Enquanto a Mônica tomava um esporro do editor
No fechamento, como eles disseram.
Eduardo e Mônica um dia se trombaram sem querer
A fumaça tava forte, foi difícil de se ver
Um carinha da facul do Eduardo que disse
“Tem uma festa legal, e a gente quer se divertir”
Gente estranha, festa de jornalista
“Eu não tô legal, já fumei mais que devia”
E a Mônica riu e quis saber um pouco mais
Sobre o mundinho que ele prometeu mudar
E o Eduardo, com larica, só pensava em ir pra casa
“A geladeira eu quero atacar”.
Eduardo e Mônica trocaram seus e-mails
Depois se escreveram e decidiram tuitar
O Eduardo sugeriu um call no Skype
Mas a Mônica queria ir pro Messenger teclar
Se encontraram ainda lá no tal de Orkut
A Mônica sem foto e o Eduardo sem cabelo
O Eduardo achou estranho e melhor não comentar
Mas a menina escrevia com um zelo.
Eduardo e Mônica eram nada parecidos
Ele tinha ilusão, ela sabia economês
Ela falava de finanças, cedebês e inflação
E ele ainda maltratava o português
Ela gostava do Basile, do Furtado
Do Marx, do Stiglitz, do Yunus e Cournot
E o Eduardo era um puta Zé Ruela
E vivia dia e noite vendo site pornô.
Ela falava coisas sobre a função social
Também de lead e do pescoção
E o Eduardo ainda tava no esquema
Adorno, cerveja, truco e Enecom.
E mesmo com tudo diferente
Veio mesmo de repente
Uma vontade de se ver
Os dois sonhavam transar todo dia
Só que dela a rotina era bem de foder (er-er).
Eduardo e Mônica estudaram locução, assessoria
Web, fotografia, pro CV melhorar
A Mônica explicava pro Eduardo
Coisas sobre fontes, off e formas de apurar.
Ele aprendeu a escrever, pegou o gosto por ler
E decidiu estagiar (não!)
E ela até chorou na primeira vez
Que ouviu a voz dele ir pro ar
E os dois já trabalharam juntos
E cobriram pautas juntos, muitas vezes depois
E todo mundo diz que a vida foi malucamente bela
Por ter juntado os dois.
Construíram os seus blogs uns seis meses atrás
Logo após que os passaralhos vieram
Batalharam frilas, mendigaram geral
Por muito pouco o fiofó não deram.
Eduardo e Mônica viraram assessores
Levantaram uma grana, já fizeram prestação...
Só que a vida dura não vai acabar
Porque na agência tem perrengue e a mesma ralação.
E quem um dia irá dizer
Que existe razão
Quando se escolhe essa profissão?
E quem irá dizer
Que não existe razão?
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Frase
Olavo Bilac
sábado, 15 de outubro de 2011
A mulher

Vendia cosméticos em domicílio, trabalho que lhe rendeu uma coleção enorme de amizades e bons tostões no decurso dos anos. Houve, então, que as donas de casa, aquelas mulheres gentis sempre prontas a recebê-la e tomar informações sobre os rouges, os pós-de-arroz, batons e esmaltes, foram desaparecendo como por encanto.
Ultimamente, em suas manhãs e tardes, deparava com casas vazias. Agastava os dedos nas campainhas, mas as moradoras não mais atendiam. Onde foram parar? Não raro, a porta era aberta por um homem, que tratava de dispensá-la de pronto, sob a alegação de que sua mulher não se encontrava, estava a trabalhar. Estranhou, mas persistiu até quanto foi possível.
Em um final de tarde, num dia que retornava à casa sem ter vendido ao menos um vidro de esmalte, sentiu-se abater por um desalento incomensurável. Foi quando tudo se deu.
Sentiu o chão faltar, como se seu corpo não tivesse peso e pairasse. Fez a passagem. Não, não foi o desencarne. Atravessou o portal para onde vão os desestimados, os esquecidos, os deslocados, as gentes que perderam as funções. Uma existência paralela, que há aqui, a meu lado, ao seu, sem ocupar o mesmo espaço, mas que a maioria não se dá conta. Por falta de interesse. Ou de tempo. Ou os dois.
A mulher deparou com outras pessoas, uns atônitos tais como ela; outros tantos repetiam gestuais ou executavam trabalhos, aos quais se entregavam quando viviam do outro lado. Estavam lá os braçais que limpavam as ervas das frinchas dos paralelepípedos, os carroceiros que entregavam pão, leite e miúdos de frango, os vendedores de enciclopédias, amoladores de facas e tesouras, ferradores, seleiros, beijueiros, gentes as quais o mundo moderno pôs de lado, sem piedade.
A sua frente, do nada, brotou um engraxate. A seu lado, surgiu um vendedor de raspadinha. Mais adiante, o homem do algodão doce, o sapateiro, a quituteira. A mulher passou a se dar conta de que não avistava mais esses trabalhadores em seu cotidiano de há tempos.
De primeiro, chorou. Tantos haviam desaparecido, sem que sentisse falta, até que ela mesma viesse engrossar a lista. Sentiu saudades de um mundo que deixara de ser. Quanta cegueira. Como não se apercebera que ninguém mais lhe tentava persuadir, à porta, a comprar a Barsa, a coleção de Monteiro Lobato? O que foi feito de tudo? Onde estariam as crianças que passavam pedindo jornais, fios de cobre e garrafas vazias? Até os chamados tipos populares se haviam extinguido!
A mulher lembrou-se de quando as vizinhas se conheciam e travavam conversas sobre as amenidades da vida, entrevistavam-se sobre receitas culinárias, trocavam uma e outra fofoca, e se sabia haver mútua solidariedade caso alguém viesse a carecer. As famílias costumavam fazer juntas suas refeições e sobrava tempo para que todos pusessem a conversa em dia.
A mulher, então, se apercebeu de que os sentimentos mais nobres que podem reservar às pessoas também se haviam volatilizado. Secou as lágrimas e seguiu, entre os desencontrados, a oferecer de longe em longe seus batons.
(Crônica publicada na edição número 1 da Revista do Comércio, do jornal Comércio do Jahu)
terça-feira, 26 de julho de 2011
Frase
"Deus tem só uma medida a tomar com esta humanidade inútil, afogá-la num dilúvio. Mas afogá-la toda, sem repetir a fatal indulgência que o levou a poupar Noé; se não fosse o egoísmo senil desse patriarca borracho, que queria continuar a viver, para continuar a beber, nós hoje gozaríamos a felicidade inefável de não sermos..."
Eça de Queirós
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Um baú de lembranças
Em seu segundo livro, jornalista transforma entrevistas e reportagens em boas históriasO que um pipoqueiro, uma artista, um anarquista e um inventor têm em comum? Pouco, à primeira vista, mas não para o jornalista José Renato de Almeida Prado, que faz estes e outros personagens encontrarem-se nas 318 páginas de seu segundo livro, “Tampa de Baú”. Com lançamento previsto para o dia 8 de julho, a obra traz ainda outras 100 fotografias e em suas duas partes – “As Gentes” e “Os Fatos” – conta um pouco da história da cidade paulista de Jaú desde sua fundação, em 1853, até hoje.
O autor, que se autodefine mais como o repórter que é há mais de 25 anos do que como escritor, usou boa parte das entrevistas e reportagens realizadas para o jornal Comércio do Jahu para compor o livro. Segundo ele, a idéia de “Tampa de Baú” foi reunir fatos históricos e pequenas biografias de quem marcou a memória coletiva da comunidade local.
“A obra se fia em testemunhos, depoimentos, arquivos de jornais e outras publicações”, conta Almeida Prado. Propositadamente, a narrativa dos acontecimentos não está cronologicamente disposta, de modo a permitir ao leitor se deslocar de meados do século 19 a fatos contemporâneos e vice-versa, em um virar de páginas.
O autor
José Renato de Almeida Prado nasceu em São Paulo, SP, em 6 de junho de 1964 e foi criado em Jaú, onde até hoje está radicado. Jornalista e advogado, iniciou sua carreira como repórter em 1986 no jornal Comércio do Jahu, ano em que passou a publicar suas primeiras crônicas e contos.
Trabalhou também como assessor de imprensa de instituições públicas e privadas e, por 15 anos, foi colaborador da revista A Granja, de Porto Alegre.
Membro da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Jahuense de Letras, é autor do livro de crônicas Prosa Fiada e Outros Goles, lançado em 2008, na 20ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.
Serviço
Lançamento do livro “Tampa de Baú”, do jornalista José Renato de Almeida Prado.
Dia 08 de julho, às 20h
Local: sede social do Jahu Clube, à rua Amaral Gurgel, 298 (Centro de Jaú)
Preço: R$ 50,00
Contato com o autor: jraprado@ube.org.br
