Preciso compartilhar.
Lendo O Velho Capitão, do jornalista, escritor e compositor jauense David Nasser, deparei com divertido trecho no capítulo Patagônia, que leva o intertítulo O Vento.
Nasser escreve pequena passagem que teria ocorrido com Newton Braga, que participou do Raid Itália-Brasil, como navegador do hidroavião Jahú, a convite do empresário paulista João Ribeiro de Barros.
Vamos a ele:
“Dizem que o Brigadeiro Newton Braga, no tempo em que ainda voava, perdeu os seus óculos em pleno espaço. O vento zunia sobre a fuselagem do avião de caça e o bravo e míope caboclo do ar não enxergava nem mesmo os instrumentos de bordo. Descer, sim. Mas como? Era uma água quase cega e agora de asas partidas. Homem de decisão rápida, o ex-tripulante do “Jaú” atirou-se de pára-quedas e deixou o aviãozinho entregue ao próprio destino, planando como uma galinha-d’angola que um anjo sádico houvesse atirado da granja divina.
O brigadeiro aterrissou com os próprios pés, enquanto lá no céu o teco-teco ia perdendo altura, perdendo altura, e suavemente pousava, guiado por um capricho qualquer, há horta de um lavrador bronco, porque só os lavradores e os broncos sabem que neste país quem lavra a terra não tem tempo para ganhar dinheiro. O campônio, tal qual o chamaria Eça de Queiroz em dia de bom humor, meteu os olhos dentro da cabina e não viu ninguém. Olhou por baixo, nada. Ninguém saíra correndo do bojo daquele pássaro de lona. Sem discutir consigo mesmo, o lavrador voltou à choça, trouxe uma corda, amarrou o aparelho a uma árvore e correu à Escola dos Afonsos para avisar que de lá havia fugido um avião.”
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Pimenta vermelha
Molhos e temperos sempre cativaram meu paladar. Valorizam
alguns pratos e a outros são indispensáveis. Não concebo comer uma esfirra sem
umedecê-la com molho de pimenta vermelha. O versátil bolonhesa torna saborosa
qualquer coisa comestível. Nas massas também aprecio sem moderação os molhos
branco e pesto. No dia-a-dia, não dispenso a cumari e gosto de abusar do
ketchup e da mostarda.
A pimenta vermelha remete a tempos de há muito idos. A
memória gustativa guarda lá, em suas prateleiras, os sabores da pipoca do
Marcílio Levorato, o Cutia, dos kibes do Abib Soufen, o Bibo, dos pastéis da
pastelaria Primavera, da família Kataoka, tudo sempre regado com a boa
pimentinha.
O grau de ardência éramos nós quem decidíamos, bastando para
isso sacudir o vidrinho de pimenta e despejar a quantidade que apetecesse.
Ninguém olhava feio se abusássemos um pouco nessa ação de entornar o conteúdo.
Dia desses, entretanto, constatei, compungido, que o sistema
econômico vigente lançou seus tentáculos até mesmo sobre os vidrinhos de
pimenta! A busca desenfreada pelo lucro arrancou-me esse pequeno prazer.
Em um estabelecimento que comercializa salgados, pedi uma
esfirra de carne e, ato contínuo, solicitei a pimenta. A funcionária mostrou-me
uma bandeja sobre a qual havia uma dezena de copinhos para café, cada qual
preenchido com um terço do molho.
Fiz menção de levar para a mesa a bandeja com todos os
copinhos, mas a funcionária fez-me entender que me cabia apanhar apenas um –
aquela coisinha de plástico com um tico de pimenta, que mal daria para bronzear
minha esfirra! Triste, mas verdade!
As coisas mudaram.
Para pior.
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
Suamos e lançamos um livro em 2012
2012 - ano em que o mundo acabaria - a historiadora Léa De Ungaro Almeida Prado, minha esposa, e eu mergulhamos no universo da Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Jaú (UPD Jaú), Apta, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
A UPD, antiga Estação Experimental de Jaú, completou 75 anos e, sob encomenda da Secretaria, registramos tudo em um livro: Terra Roxa - Vida e Ciência na Estação Experimental de Jaú, que foi lançado no dia 7 de dezembro.
Léa fez toda a pesquisa histórica e diversas entrevistas, que foram a base de todo o trabalho.
Foi um período de serviço intenso, corre-corre, noites mal dormidas, mas tudo valeu. Aprendemos muito e acreditamos ter conseguido reunir neste livro grande parte da rica história da Estação Experimental de Jaú.
A secretária de Agricultura do Estado de São Paulo, Mônika Bergamaschi, Léa Prado e eu
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Mario Garrone lança seu 2º livro
O jornalista e escritor Mario Garrone lança pela Chiado Editora, de Portugal, seu segundo romance, Pequeno Relato sobre o Caos.
A editora com sede em Lisboa é especializada na publicação de autores portugueses e brasileiros contemporâneos.
A obra mostra como uma cabeleireira negra de 43 anos e um jovem loiro de 19 anos, juntos, podem dar o que falar. E fazer porteiros de prédios desconfiarem e comentarem sobre a conveniência e pertinência de uma mulher negra entrar em um edifício residencial na região da Avenida Paulista sem ser para limpar, cozinhar, lavar e passar.
Paralelamente, há a história do advogado aposentado Alcibíades, que aos 83 anos viaja a Paris com a mulher Dircinha para festejar as bodas de ouro do casal. A paz na vida dele termina em seu retorno ao Brasil.
Nascido em São Paulo e formado em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), Mario Garrone, também é autor do livro O Homem Infeliz, publicado pela editora Imago, do Rio de Janeiro.
Pequeno Relato sobre o Caos pode ser comprado no site da editora www.chiadoeditora.com ou no site www.wook.com.
domingo, 22 de abril de 2012
Geração em 140 caracteres
A Geração Editorial disponiliza para download gratuito o e-book com os contos vencedores do Concurso de Minicontos realizado em 2011. Os textos, produzidos por diversos autores, têm até 140 caracteres. Também estou lá, na página 90, com o miniconto O Copo.
A editora é a mesma que publicou o livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que se debruça sobre a chamada Era das Privatizações, promovida pelo governo Fernando Henrique Cardoso, por intermédio de seu ministro do Planejamento, o ex-governador de São Paulo, José Serra.
Aos que quiserem dar uma olhadela no e-book com, é só acessar um dos links abaixo.
PDF: http://www.geracaoeditorial.com.br/geracao140caracteres.pdf
ZIP: http://www.geracaoeditorial.com.br/geracao140caracteres.zip
A editora é a mesma que publicou o livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que se debruça sobre a chamada Era das Privatizações, promovida pelo governo Fernando Henrique Cardoso, por intermédio de seu ministro do Planejamento, o ex-governador de São Paulo, José Serra.
Aos que quiserem dar uma olhadela no e-book com, é só acessar um dos links abaixo.
PDF: http://www.geracaoeditorial.com.br/geracao140caracteres.pdf
ZIP: http://www.geracaoeditorial.com.br/geracao140caracteres.zip
quarta-feira, 28 de março de 2012
Salve, Millôr! Até qualquer hora!

Deve-se beber moderadamente, isto é, um pouco todos os dias. Isso não sendo possível, beber muito, sempre que der. Mas o abuso, como a moderação, tem que ser aprendido. O amador que abusa tende a ficar desabusado."
Millôr Fernandes
sexta-feira, 23 de março de 2012
Eduardo e Mônica (versão para jornalistas)
Quem um dia irá dizer
Que existe razão
Quando se escolhe essa profissão?
E quem irá dizer
Que não existe razão?
Eduardo abriu o livro, mas não quis nem estudar
As teorias que os mestres deram
Enquanto a Mônica tomava um esporro do editor
No fechamento, como eles disseram.
Eduardo e Mônica um dia se trombaram sem querer
A fumaça tava forte, foi difícil de se ver
Um carinha da facul do Eduardo que disse
“Tem uma festa legal, e a gente quer se divertir”
Gente estranha, festa de jornalista
“Eu não tô legal, já fumei mais que devia”
E a Mônica riu e quis saber um pouco mais
Sobre o mundinho que ele prometeu mudar
E o Eduardo, com larica, só pensava em ir pra casa
“A geladeira eu quero atacar”.
Eduardo e Mônica trocaram seus e-mails
Depois se escreveram e decidiram tuitar
O Eduardo sugeriu um call no Skype
Mas a Mônica queria ir pro Messenger teclar
Se encontraram ainda lá no tal de Orkut
A Mônica sem foto e o Eduardo sem cabelo
O Eduardo achou estranho e melhor não comentar
Mas a menina escrevia com um zelo.
Eduardo e Mônica eram nada parecidos
Ele tinha ilusão, ela sabia economês
Ela falava de finanças, cedebês e inflação
E ele ainda maltratava o português
Ela gostava do Basile, do Furtado
Do Marx, do Stiglitz, do Yunus e Cournot
E o Eduardo era um puta Zé Ruela
E vivia dia e noite vendo site pornô.
Ela falava coisas sobre a função social
Também de lead e do pescoção
E o Eduardo ainda tava no esquema
Adorno, cerveja, truco e Enecom.
E mesmo com tudo diferente
Veio mesmo de repente
Uma vontade de se ver
Os dois sonhavam transar todo dia
Só que dela a rotina era bem de foder (er-er).
Eduardo e Mônica estudaram locução, assessoria
Web, fotografia, pro CV melhorar
A Mônica explicava pro Eduardo
Coisas sobre fontes, off e formas de apurar.
Ele aprendeu a escrever, pegou o gosto por ler
E decidiu estagiar (não!)
E ela até chorou na primeira vez
Que ouviu a voz dele ir pro ar
E os dois já trabalharam juntos
E cobriram pautas juntos, muitas vezes depois
E todo mundo diz que a vida foi malucamente bela
Por ter juntado os dois.
Construíram os seus blogs uns seis meses atrás
Logo após que os passaralhos vieram
Batalharam frilas, mendigaram geral
Por muito pouco o fiofó não deram.
Eduardo e Mônica viraram assessores
Levantaram uma grana, já fizeram prestação...
Só que a vida dura não vai acabar
Porque na agência tem perrengue e a mesma ralação.
E quem um dia irá dizer
Que existe razão
Quando se escolhe essa profissão?
E quem irá dizer
Que não existe razão?
Que existe razão
Quando se escolhe essa profissão?
E quem irá dizer
Que não existe razão?
Eduardo abriu o livro, mas não quis nem estudar
As teorias que os mestres deram
Enquanto a Mônica tomava um esporro do editor
No fechamento, como eles disseram.
Eduardo e Mônica um dia se trombaram sem querer
A fumaça tava forte, foi difícil de se ver
Um carinha da facul do Eduardo que disse
“Tem uma festa legal, e a gente quer se divertir”
Gente estranha, festa de jornalista
“Eu não tô legal, já fumei mais que devia”
E a Mônica riu e quis saber um pouco mais
Sobre o mundinho que ele prometeu mudar
E o Eduardo, com larica, só pensava em ir pra casa
“A geladeira eu quero atacar”.
Eduardo e Mônica trocaram seus e-mails
Depois se escreveram e decidiram tuitar
O Eduardo sugeriu um call no Skype
Mas a Mônica queria ir pro Messenger teclar
Se encontraram ainda lá no tal de Orkut
A Mônica sem foto e o Eduardo sem cabelo
O Eduardo achou estranho e melhor não comentar
Mas a menina escrevia com um zelo.
Eduardo e Mônica eram nada parecidos
Ele tinha ilusão, ela sabia economês
Ela falava de finanças, cedebês e inflação
E ele ainda maltratava o português
Ela gostava do Basile, do Furtado
Do Marx, do Stiglitz, do Yunus e Cournot
E o Eduardo era um puta Zé Ruela
E vivia dia e noite vendo site pornô.
Ela falava coisas sobre a função social
Também de lead e do pescoção
E o Eduardo ainda tava no esquema
Adorno, cerveja, truco e Enecom.
E mesmo com tudo diferente
Veio mesmo de repente
Uma vontade de se ver
Os dois sonhavam transar todo dia
Só que dela a rotina era bem de foder (er-er).
Eduardo e Mônica estudaram locução, assessoria
Web, fotografia, pro CV melhorar
A Mônica explicava pro Eduardo
Coisas sobre fontes, off e formas de apurar.
Ele aprendeu a escrever, pegou o gosto por ler
E decidiu estagiar (não!)
E ela até chorou na primeira vez
Que ouviu a voz dele ir pro ar
E os dois já trabalharam juntos
E cobriram pautas juntos, muitas vezes depois
E todo mundo diz que a vida foi malucamente bela
Por ter juntado os dois.
Construíram os seus blogs uns seis meses atrás
Logo após que os passaralhos vieram
Batalharam frilas, mendigaram geral
Por muito pouco o fiofó não deram.
Eduardo e Mônica viraram assessores
Levantaram uma grana, já fizeram prestação...
Só que a vida dura não vai acabar
Porque na agência tem perrengue e a mesma ralação.
E quem um dia irá dizer
Que existe razão
Quando se escolhe essa profissão?
E quem irá dizer
Que não existe razão?
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